20 de Outubro: Dia Mundial de Combate ao Bullying
O combate ao bullying e ao cyberbullying exige o envolvimento de escolas, famílias e estudantes na construção de uma cultura de respeito, empatia e convivência ética.
O dia 20 de outubro, Dia Mundial de Combate ao Bullying, é uma oportunidade para ampliar o diálogo sobre uma forma de violência que ainda afeta crianças e adolescentes em diferentes contextos, especialmente no ambiente escolar e nas plataformas digitais.
Mais do que reconhecer a existência do problema, é fundamental compreender suas dinâmicas, identificar os sinais e construir estratégias de prevenção que envolvam toda a comunidade escolar.
No Colégio Perfil, essa é uma responsabilidade compartilhada, que se concretiza por meio da formação de colaboradores, do diálogo com as famílias, das aulas de convivência ética e de iniciativas que incentivam o protagonismo estudantil.
O que é bullying e quais são suas consequências?
O bullying é uma forma de intimidação sistemática caracterizada por comportamentos intencionais e repetitivos, associados a um desequilíbrio de poder entre os envolvidos. Essa dinâmica diferencia o bullying de conflitos pontuais entre estudantes.
Suas consequências podem afetar a autoestima, a saúde emocional, o sentimento de pertencimento e a experiência escolar de quem se torna alvo dessas práticas.
O problema também envolve quem pratica a violência e quem presencia as situações sem intervir. Por isso, compreender o bullying exige olhar para além dos envolvidos diretamente: é necessário considerar as relações e o contexto social em que ele acontece.
Apesar dos impactos que pode provocar, o bullying e o cyberbullying ainda são, por vezes, tratados como brincadeiras ou situações de pouca importância. Essa banalização dificulta o reconhecimento do problema e pode contribuir para a continuidade da violência.
Cyberbullying: quando a violência ultrapassa os muros da escola
O cyberbullying, também conhecido como intimidação sistemática virtual, acontece por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos on-line e outras plataformas digitais.
Nesse ambiente, a violência pode ganhar maior alcance, ser compartilhada rapidamente e permanecer acessível mesmo depois de sua publicação original. Isso amplia a exposição da vítima e pode prolongar o sofrimento.
Outro ponto de atenção é a influência de comunidades on-line que disseminam discursos de ódio, racismo e misoginia, podendo expor jovens a conteúdos nocivos e a processos de aliciamento e radicalização.
Diante desse cenário, acompanhar a experiência digital de crianças e adolescentes, promover o diálogo e desenvolver o pensamento crítico são atitudes importantes para famílias e educadores.
O que dizem os dados sobre bullying e cyberbullying no Brasil?
O crescimento dos registros de bullying e cyberbullying reforça a necessidade de ampliar as estratégias de prevenção e enfrentamento dessas formas de violência.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, os registros policiais de bullying e cyberbullying contra crianças e adolescentes cresceram 67,3% em 2025, em comparação com 2024, passando de 3.161 para 5.226 ocorrências.
É importante considerar que os registros policiais representam apenas uma parcela dos casos vivenciados por crianças e adolescentes. A subnotificação dificulta dimensionar toda a extensão do problema, que exige atenção permanente das escolas, das famílias e da sociedade.
No ambiente virtual, a violência pode ganhar proporções ainda maiores, ampliando seu alcance e prolongando a exposição das vítimas para além do momento em que a agressão acontece.
Esses dados reforçam a importância de compreender o fenômeno, reconhecer seus sinais e investir em ações educativas que contribuam para prevenir novas situações.
O que diz a legislação brasileira sobre bullying?
O enfrentamento do bullying também envolve a conscientização sobre suas implicações legais.
A Lei nº 14.811/2024 incluiu no Código Penal o crime de intimidação sistemática (bullying) e o de intimidação sistemática virtual (cyberbullying), estabelecendo consequências jurídicas para essas condutas.
No caso do bullying, a legislação prevê multa, quando a conduta não constituir crime mais grave. Para o cyberbullying, a pena prevista é de reclusão de dois a quatro anos e multa, também se não houver crime mais grave.
Entretanto, o enfrentamento dessa violência não pode se limitar à responsabilização legal. A prevenção, a formação para a convivência respeitosa e a intervenção adequada são fundamentais para transformar as relações e evitar que novas situações aconteçam.
Como identificar e prevenir o bullying na escola?
Pais e professores têm um papel importante na identificação de mudanças de comportamento e de possíveis sinais de sofrimento. Isolamento, medo de frequentar a escola, alterações emocionais e dificuldades de convivência merecem atenção, embora não indiquem necessariamente a ocorrência de bullying.
Também é importante observar comportamentos de intimidação e a postura dos estudantes que testemunham essas situações.
Para prevenir o problema, algumas medidas são fundamentais:
- Promover a educação socioemocional: desenvolver empatia, autorregulação, respeito às diferenças e habilidades para resolver conflitos;
- Fortalecer o diálogo entre escola e família: compartilhar observações e construir estratégias de acompanhamento;
- Estabelecer protocolos de intervenção: garantir que as situações sejam apuradas com cuidado, escuta e critérios claros;
- Envolver os estudantes na prevenção: incentivar atitudes de coragem, responsabilidade e apoio a quem sofre violência;
- Construir uma cultura de respeito: deixar claro que humilhações, discriminação e intimidação não devem ser naturalizadas.
O bullying é um fenômeno que precisa ser compreendido em sua complexidade. Por isso, cada situação exige uma análise cuidadosa, considerando as relações entre os envolvidos e as intervenções mais adequadas.
Como o Colégio Perfil atua na prevenção e no combate ao bullying?
No Colégio Perfil, a prevenção e o combate ao bullying fazem parte de um trabalho contínuo de formação e cuidado com a comunidade escolar.
Realizamos capacitações com colaboradores, promovemos o diálogo com as famílias e desenvolvemos aulas de convivência ética e socioemocional. Essas ações buscam ampliar a compreensão sobre as relações entre os estudantes e fortalecer atitudes de respeito, responsabilidade e cooperação.
Também adotamos o MPC (Método de Preocupação Compartilhada), uma abordagem utilizada na prevenção e na intervenção em situações de bullying.
O trabalho envolve entrevistas e a escuta dos estudantes e, conforme a necessidade, o diálogo com famílias, testemunhas e colaboradores. A partir das informações levantadas, são planejadas intervenções socioeducativas voltadas à compreensão do problema e à melhoria das relações.
O método também pode envolver conversas com as famílias e, quando necessário, mediação escolar, com o objetivo de ajudar os envolvidos a desenvolver formas mais respeitosas de convivência.
O objetivo é construir respostas que interrompam a violência, acolham quem foi afetado e favoreçam relações mais saudáveis.
Protagonismo estudantil: todos podem fazer parte da solução
O bullying não se sustenta apenas pela ação de quem pratica a violência. A reação de quem presencia as situações também pode influenciar sua continuidade.
Quando a plateia ri, compartilha conteúdos ou permanece indiferente, a intimidação pode ganhar força. Por outro lado, quando os estudantes desenvolvem coragem para não compactuar com essas práticas e apoiar os colegas, tornam-se aliados importantes na prevenção.
É nesse contexto que o Colégio Perfil desenvolve as Comunidades de Cuidado e Apoio, uma iniciativa adotada em parceria com o GEPEM (Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral), vinculado à Unesp e à Unicamp.
A proposta fortalece o apoio entre pares e incentiva os estudantes a participar ativamente da construção de um ambiente mais seguro, acolhedor e respeitoso.
Ao estimular o protagonismo estudantil, a escola amplia as possibilidades de cuidado coletivo e reforça a ideia de que cada pessoa tem um papel na construção das relações que deseja viver.
Combater o bullying é uma responsabilidade de todos
O Dia Mundial de Combate ao Bullying nos lembra que prevenir essa forma de violência exige mais do que ações pontuais. É necessário compreender o problema, reconhecer seus impactos e desenvolver estratégias permanentes de intervenção e cuidado.
Escola, família e sociedade precisam atuar em conjunto para que crianças e adolescentes aprendam a conviver com as diferenças, respeitar os limites e agir diante de situações de injustiça.
No Colégio Perfil, acreditamos que educar também significa preparar para a convivência. Por isso, investimos em formação, diálogo e iniciativas que fortalecem o respeito, o cuidado e o protagonismo estudantil.
Construir uma cultura de paz é um compromisso coletivo. E essa construção começa nas relações que cultivamos todos os dias.
Por Renata Torres.



